Photo

Nóis é o demo. Capricorn’s Tarot Card: The Devil

via @zodiacsociety:

Nóis é o demo. 
Capricorn’s Tarot Card: The Devil

via @zodiacsociety:

Tags: zodiaco
Text

Onestaldo de Pennafort - Arte de amar

Não indagues a origem do meu amor.

Não perguntes à corrente
que passa sem rumor;
não te debruces sobre o lago evanescente
para ver no teu corpo adolescente
a origem do meu amor.

Ama-me simplesmente…

PENNAFORT, Onestaldo de (1902-1987). IN: Poesia. Rio de Janeiro, Record, 1987, p. 104.

Photo
Como capricornianos irritam as pessoas. 

Capricorn and how you drive people nuts.

via @zodiacsociety:

Como capricornianos irritam as pessoas. 

Capricorn and how you drive people nuts.

via @zodiacsociety:

Photo
Um trecho que Sylvia Plath destacou em seu próprio exemplar de “O Grande Gatsby”.

Sylvia Plath’s copy of The Great Gatsby

via nevver

Um trecho que Sylvia Plath destacou em seu próprio exemplar de “O Grande Gatsby”.

Sylvia Plath’s copy of The Great Gatsby

via nevver

Text

Benjamim Péret - Onde estás

[trad.: Sérgio Lima e Pierre Clemens]

Queria falar contigo cristal fendido que uiva como um lobo numa noite de lençóis sacudidos 

como um barco desmastreado que a espuma do mar começa a invadir 
onde o gato mia porque todos os ratos partiram 

Queria falar contigo como uma árvore derrubada pela tempestade 
que sacolejou tanto os fios telegráficos 
que parecem uma escova para montanhas iguais à mandíbula inferior de um tigre 
que lentamente me rasga com um horrível barulho de porta arrombada 

Queria falar contigo como os vagões do metrô quebrado na entrada 
de uma estação onde penetro com um espinho num artelho semelhante a um passarinho numa vinha 
que não dará vinho como muito menos uma rua interditada 
onde vagueio como uma peruca numa lareira 
que não esquenta mais nada há tanto tempo 
que acredita ser o balcão de um bar 
onde círculos deixados pelos copos desenham uma corrente 

Simplesmente te diria 
eu te amo como um grão de trigo ama o sol levantando-se acima de sua cabeça de melro. 

IN: PÉRET, Benjamin. Amor Sublime. São Paulo: Brasiliense, 1985, pág. 173.

Benjamin Péret (1899 — 1959) foi um dos mais importantes poetas surrealistas franceses e destacado militante trotskista. Péret foi casado com a cantora lírica e folclorista brasileira Elsie Houston.

Text

Newton Navarro - A Cadeira

O alto corpo se curva,
Quebram-se as linhas
E partidas formas lentas
Se debruçam.
Do vivo traço que era
De pé, como haste erguido
Em três planos se dispersa. 

Vivos olhos, agudamente,
Percorrem a sala sem lume. 

Dois seios pulsam, solenes.
As mãos uma flor seguram
Suspensa sobre o regaço
E o sexo e a flor se ocultam
No sem espaço da curva. 

Pernas suspendem ligeiras
Os pés, e as alpercatas
Caem no vazio onde foram
Sólidas raízes do corpo
Que a cadeira despedaça. 

E na sombra,
Sem movimento,
Todo o corpo adormecido
Sobre o corpo da cadeira
Mulher de amor ausente
Talha na sombra envolvente
Vivo relevo de carne
Inútil sobre a madeira.

Text

Novas Cartas Portuguesas [excerto]

image

Era perversa:
dormia toda nua, os peitos soltos e brandos muito brancos e expostos tal como os seus mamilos largos, róseos, distendidos.Durante o dia andava em casa com as blusas desabotoadas e sentava-se de qualquer maneira com os fatos a subirem-lhe sempre a meio das coxas, deixando antever entre as pernas uma escuridão macia, amolentada na sua meia penumbra.
Era perversa:
deitava-se nos sofás, ao comprido, os braços atirados para trás e ficava assim, toda lisa, ao seu alcance, sem mal, a passar a língua aguda pelos lábios já húmidos
Era perversa:
de um louro fundo, a pele penugenta, os olhos de um azul duro, sempre adormentados
Era perversa:
rodeava-lhe com os braços o pescoço, os seios a esmagarem-se-lhe de encontro ao peito e o hálito morno, sedoso, a roçar-lhe a boca, a rastejar-lhe perto, como que entorpecido de saliva.
Era perversa:
Deixava a porta entreaberta, esquecida, enquanto se despia devagar, a descobrir o ventre brando, os ombros magros, devagar em breves movimentos, em secretos sons e pactos com a infância.
Era perversa:
trazia os cabelos em desalinho e mornos de sono quando o beijava de manhã, a dar-lhe os bons-dias, com uma distracção de hábito tomada.
Era perversa:
dormia toda nua, os peitos soltos e brandos muito brancos e expostos tal como os seus mamilos largos, róseos, distendidos.
Quando entrou no quarto o homem hesitou, a olhá-la, a fixá-la no seu sono, mas logo avança, silencioso, e de manso pára junto à; cama a hesitar novamente. Depois estende uma das mãos, desliza-a na curva suave do peito, na anca quente, doce, o dedos crispados a entranharem-se já nos pêlos sedosos da púbis.Curva-se quando ela acorda e tapa-lhe a boca com força, brutal, mantendo-a deitada, firmemente, debaixo do seu corpo agora ao comprido sobre o dela.Era perversa:tinha um riso liberto, sedento, e uma maneita envolvente de olhar os outros; um odor enlouquecido a entreabrir-se aos poucos, como um fruto, obsessivo: obsessivamente, obsessivamente.Indiferente, Mariana sente que ele sai de dentro de si, sujando-a de esperma também por fora. Depois vê-o que se levanta da cama, se veste à; pressa e se vai embora sem a olhar, todo o tempo mudo, mesmo enquanto a forçara, mudo mesmo quando a tivera, rendida, afundada naquele torpor, de onde não quer sair nunca mais, cada hora mais fundamente perdida.«- Tens de deixar esta casa - disse-lhe ele numa voz neutra, monocórdica - não podemos continuar a viver todos juntos na mesma casa depois do que se passou. Foste a culpada de tudo, bem sabes que foste a culpada de tudo, eu sou homem; sou homem e tu és provocante, perversa. és perversa. Uma mulher sem vergonha, sem pudor. Não te quero ver mais, enojas-me, repugnas-me, envergonhas-me. Tu percebias, sei que percebias, que sabias como me punhas. Eu sou homem minha puta
- Claro que sou uma puta, podes estar tranquilo, pai, sou uma puta.
«- Grande cabra - chamou-lhe a mãe quando ela se dirigia para a porta da rua, agarrada às paredes para não cair. - Grande cabra.»”

23/4/71

BARRENO, Maria Isabel; HORTA, Maria Teresa; COSTA, Maria Velho da. Novas cartas portuguesas. Lisboa: Estúdios Cor, 1972, p. 165.

Photoset
Tags: dance dança
Quote
"

Sempre achei curioso o fato de ciúme se algo relacionado diretamente a mulher. Uma “mulher ciumenta” está no imaginário popular como algo perigoso. Curioso que não se pense isso dos homens, já que, por dia, 10 mulheres são mortas por seus respectivos maridos, ex-namorados ou goleiros de time de futebol.

Sim, homens também são assassinados por ciúmes. Mas, se você olha a estátistica que mostra que, para cada homem assassinado nessa circunstância, 100 mulheres morrem pelo mesmo motivo, ACHO, que as mulheres sofrem mais com esse tipo de coisa.

Assim, só palpite…

"

Texto de hoje do @diogobatalha. (via slutshamingdetected)

(via mizera)

Text

Walter Lionel George - Caliban [1920]

“Gentlemen, you make me sick. I will say to you as did the officer who apologized, that you are fit to carry guts to a bear. You are my fifth form, but I am beginning to think that you are the fifth form because in this academy, four forms know four times more Latin than ever you will.” His choleric face shone and he picked out Bulmer. 

“Bulmer, in the words of the Elizabethan barbarian whom you call Shakespeare, I write you down an ass. You are fat and shining, with well-tended hide, as a hog from the herd of Epicurus. Hog and ass. Bulmer, you drive me to the end of my zoology”.

A hot flush ran up Bulmer’s cheeks, his ears felt fiery, and as sniggers rose about him he grew angry and said: 

“Oh well, what’s the good of Latin and Greek, anyway?”

“What!” said Chips, incredulously. “Say that again!” 

As Bulmer did not reply, Chips went on, “Did I understand you to ask what’s the good of the classics, anyway?”

“Yes, sir,” muttered Bulmer, shrinking.

“Oh! Plutarch must have been thinking of you when he said that the Macedonians are a rude and vulgar people who call a spade a spade. And, pray, what do you imply by that interesting remark?” 

“Oh well,” said Bulmer, desperately, “what’s the good of Latin? Nobody talks Latin.” As Chips stared at him, horrified, Bulmer, who felt very self-conscious, added, “If it was German it might be some use.”

After a long pause Chips replied: 

“This is not a debating society, Bulmer, but since I asked you what you meant you are entitled to speak. You mean that the classics have no utility?”

“Yes, sir.”

“Well, my child, I might bruise your adolescent head with the periods of Cicero, but I will have mercy upon you, I will refrain from you. I will tell you simply that utility is base and vile, and that nothing is any good to you if it is useful to you. And this being a metaphysical point, Bulmer, I do not expect you to grasp it. Rather will I teach you to love wisdom and clarity by asking you to write out for me, and deliver, mind you, punctually, by the morning of the day after tomorrow, five hundred times this solemn resolve, “I must not be a utilitarian.” And now pass on, pass on the torch, and you, Sykehouse, take it up and dance me merrily.”

Referência: GEORGE, Walter Lionel. Caliban. New York; London: Harper & Brothers, 1920, pp. 5-7.
URLhttp://archive.org/details/caliban00georgoog