brincher

licenciado em Letras; mestrando em Teoria da Literatura; professor; colecionador de coleções abandonadas; adestrador de joysticks; produtor musical independente; baixista de nascença; tubista por teimosia; lindo por aclamação.

Fernando Pessoa - As mina pira no jogo de xadrez

Ricardo Reis (Fernando Pessoa) - Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia

Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia
Tinha não sei qual guerra,
Quando a invasão ardia na Cidade
E as mulheres gritavam,
Dois jogadores de xadrez jogavam
O seu jogo contínuo.

À sombra de ampla árvore fitavam
O tabuleiro antigo,
E, ao lado de cada um, esperando os seus
Momentos mais folgados,
Quando havia movido a pedra, e agora
Esperava o adversário,
Um púcaro com vinho refrescava
Sobriamente a sua sede.

Ardiam casas, saqueadas eram
As arcas e as paredes,
Violadas, as mulheres eram postas
Contra os muros caídos,
Traspassadas de lanças, as crianças
Eram sangue nas ruas…
Mas onde estavam, perto da cidade,
E longe do seu ruído,
Os jogadores de xadrez jogavam
O jogo do xadrez.

Inda que nas mensagens do ermo vento
Lhes viessem os gritos,
E, ao reflectir, soubessem desde a alma
Que por certo as mulheres
E as tenras filhas violadas eram
Nessa distância próxima,
Inda que, no momento que o pensavam,
Uma sombra ligeira
Lhes passasse na fronte alheada e vaga,
Breve seus olhos calmos
Volviam sua atenta confiança
Ao tabuleiro velho.

Quando o rei de marfim está em perigo,
Que importa a carne e o osso
Das irmãs e das mães e das crianças?

Quando a torre não cobre
A retirada da rainha branca,
O saque pouco importa.
E quando a mão confiada leva o xeque
Ao rei do adversário,
Pouco pesa na alma que lá longe
Estejam morrendo filhos.

Mesmo que, de repente, sobre o muro
Surja a sanhuda face
Dum guerreiro invasor, e breve deva
Em sangue ali cair
O jogador solene de xadrez,
O momento antes desse
(É ainda dado ao cálculo dum lance
Pra a efeito horas depois)
É ainda entregue ao jogo predilecto
Dos grandes indiferentes.

Caiam cidades, sofram povos, cesse
A liberdade e a vida,
Os haveres tranquilos e avitos
Ardem e que se arranquem,
Mas quando a guerra os jogos interrompa,
Esteja o rei sem xeque,
E o de marfim peão mais avançado
Pronto a comprar a torre.

Meus irmãos em amarmos Epicuro
E o entendermos mais
De acordo com nós-próprios que com ele,
Aprendamos na história
Dos calmos jogadores de xadrez
Como passar a vida.

Tudo o que é sério pouco nos importe,
O grave pouco pese,
O natural impulso dos instintos
Que ceda ao inútil gozo
(Sob a sombra tranquila do arvoredo)
De jogar um bom jogo.

O que levamos desta vida inútil
Tanto vale se é
A glória; a fama, o amor, a ciência, a vida,
Como se fosse apenas
A memória de um jogo bem jogado
E uma partida ganha
A um jogador melhor.

A glória pesa como um fardo rico,
A fama como a febre,
O amor cansa, porque é a sério e busca,
A ciência nunca encontra,
E a vida passa e dói porque o conhece…

O jogo do xadrez
Prende a alma toda, mas, perdido, pouco
Pesa, pois não é nada.

Ah! sob as sombras que sem querer nos amam,
Com um púcaro de vinho
Ao lado, e atentos só à inútil faina
Do jogo do xadrez,
Mesmo que o jogo seja apenas sonho
E não haja parceiro,
Imitemos os persas desta história,
E, enquanto lá por fora,
Ou perto ou longe, a guerra e a pátria e a vida
Chamam por nós, deixemos
Que em vão nos chamem, cada um de nós
Sob as sombras amigas
Sonhando, ele os parceiros, e o xadrez
A sua indiferença.

1-6-1916

PESSOA, Fernando. Odes de Ricardo Reis. Lisboa: Ática, 1946, p. 57.




David Mourão-Ferreira - E por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.

Fernando Mendes Vianna - Iniciação

Teu fígado certo
inundarei de álcool.
Tua unha clara
sujarei de sangue.


No teu ventre puro
plantarei dez árvores.
No teu peito liso
agitarei as águas.


Em teu olhar gramado
cavarei uma vala,
e nesse longo sulco
sepultarei teu príncipe.


Rasgarás tuas sedas
e vestirás teu corpo.
Esquecerás tua mãe,
tua melhor amiga
e a oração ao anjo da guarda.

E me adorarás.

Joel Silveira - Poema

Poema

Porque não há trégua na quotidiana amargura,
os versos nascem todos desgraçados
e possivelmente maus.
Os caminhos estão gastos,
as mulheres se repetem
e é ridículo dar amor a alguém que amanhã estará
[murcho
e que jamais devolverá nossas cartas.
Para as horas, tão inúteis,
vale apenas a solução dos bêbedos.
Onde estão os perigos desta vida?
Quero-os todos para mim, aqui ou longe,
a eles o melhor estilo e o melhor entusiasmo.
E que sobre eles o amor e a alegria se debrucem
como rosas abertas num campo minado.

Julho, 1945.

(IN: BANDEIRA, Manuel. Poetas brasileiros bissextos contemporâneos. Rio de Janeiro: Zelio Valverde, 1946, p. 131)

Joel Silveira (Aracaju, SE; 1918-) , além de poeta, é jornalista (Grã-finos de São Paulo e outras notícias do  Brasil, 1946; Meninos eu vi, 1965; As duas guerras da FEB, 1966 - reportagens),  contista (Onda raivosa, 1939; Roteiro  de Margarida, 1940; Lua, 1945; Alguns  fantasmas, 1962; Milagre em Florença, 1983), cronista (Histórias de Pracinhas,  1945; O marinheiro na varanda, 1958), novelista (Desespero, 1936;  Desaparecimento da autora, 1954) e romancista (Você nunca será um deles, 1988).  Manuel Bandeira incluiu três dos poemas de Joel Silveira (“Poema”, “Roma, 1945” e  “Canto a Firenze”) na sua antologia Poetas brasileiros bissextos contemporâneos,  de 1946 (ampliada em 1964).

A vida cotidiana de Mario.
nerdwire:

Mario get’s cooking in this cool snapshot of a not too often thought about portion of our favorite plumber/hero’s life.  You can check out more over in Alan’s gallery by clicking his name.
Mario’s Breakfast by Alan Defibaugh

A vida cotidiana de Mario.

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Mario’s Breakfast by Alan Defibaugh

(vía elpesodelavida)

Não existe pecado nem virtude. Há apenas o que a gente quer fazer. Tudo faz parte da mesma coisa. Algumas coisas que a gente faz são boas e outras não prestam, mas isso está na cabeça de cada um.

STEINBECK, John. As vinhas da ira. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010, p-30.

“Só Jesus expulsa a Maria Padilha das pessoas”.

“Só Jesus expulsa a Maria Padilha das pessoas”.

Sensei Imagiro Hayashi, responsável pela introdução do Ju-Jutsu em Portugal. Publicado na revista Illustração Portugueza (1908).
ilustracaoportuguesa:

Illustração Portugueza, No. 139, October 19 1908 - 31 on Flickr.
Carregar na imagem para ver em tamanho 840 x 1295. Artigo sobre o professor Imagiro Hayashi, responsável pela introdução da arte marcial Ju-Jutso em Portugal. Nas fotos de Joshua Benoliel: várias estratégias de defesa da prisão do casaco e dos braços.
“Finalmente, por conselho de Raku, que o encontrou em Inglaterra, o professor Imagiro Hayashi veio para Lisboa, e trabalhou com elle uma ou duas vezes no Colyseu, quando o seu compatriota ali se apresentou pela segunda vez. Actualmente está regendo, como dissémos, um curso de ju-jutsu no Centro Nacional de Esgrima, tendo conseguido preparar já discipulos que revelam aptidões e seguros conhecimentos do jogo japonez.”

Sensei Imagiro Hayashi, responsável pela introdução do Ju-Jutsu em Portugal. Publicado na revista Illustração Portugueza (1908).

ilustracaoportuguesa:

Illustração Portugueza, No. 139, October 19 1908 - 31 on Flickr.

Carregar na imagem para ver em tamanho 840 x 1295.

Artigo sobre o professor Imagiro Hayashi, responsável pela introdução da arte marcial Ju-Jutso em Portugal. Nas fotos de Joshua Benoliel: várias estratégias de defesa da prisão do casaco e dos braços.

“Finalmente, por conselho de Raku, que o encontrou em Inglaterra, o professor Imagiro Hayashi veio para Lisboa, e trabalhou com elle uma ou duas vezes no Colyseu, quando o seu compatriota ali se apresentou pela segunda vez.

Actualmente está regendo, como dissémos, um curso de ju-jutsu no Centro Nacional de Esgrima, tendo conseguido preparar já discipulos que revelam aptidões e seguros conhecimentos do jogo japonez.”
Para os que acreditam que não são as crenças que determinam o caráter de um indivíduo, Feliz Ano Novo.

Para os que acreditam que não são as crenças que determinam o caráter de um indivíduo, Feliz Ano Novo.

LIVE FAST. DIE JONG.

LIVE FAST. DIE JONG.

(Fuente: lolchampionship, vía enpieldelobo)