Roberto Salgueiro - Apnea. Poema dramático con cinco acotacións [excerto]

esquecín meu nome
miña data de nacemento.
non teño pais
nin irmáns
non teño roupas
nin fame
nin sono
nin sede.
son un despoxo.
son aquilo que fica despois de descubrir
que ulises violou a penélope
ata rebentarlle o útero
e que por esa razón marchou
e que xamais tivo a intención de regresar.
o outro son falacias de mercaderes
enganos de brokers de bolsa.
oh, se esta demasiado sólida masa de carne puidera
abrandarse e liquidarse, disolta
nos escrementos que asulagan a miña nación
diluído en oríns e feces
cuspes e restos corporais
diluído en fin,
sen memoria, disolto
sen recordo, diluído
sen pensamento, absorto
perdido.
e non ser nada.
nada.
e deixar de sufrir.

Roberto Salgueiro González (Caracas, 1966), é também diretor da Aula de Teatro da Universidade de Santiago de Compostela desde 1990, tem publicado diversos ensaios e traduções sobre a prática teatral e trabalhado como diretor para diversas companhias de teatro e instituições públicas.


Apneia. poema dramático com cinco anotações

Tradução: Sandro Brincher

esqueci meu nome
minha data de nascimento.
não tenho pais
ou irmãos
não tenho roupas
ou fome
ou sono
nem sede.
sou um despojo.
sou aquilo que sobra depois de descobrir
que Ulisses estuprou Penélope
até rebentar-lhe o útero
e que por essa razão foi embora
e que jamais teve a intenção de voltar.
o resto são falácias de mercadores
enganos de corretores de bolsa.
oh, se esta muito sólida massa de carne pudesse
acalmar-se e liquidar-se, dissolvida
nos escrementos que cobrem a minha nação
diluído em urina e fezes
saliva e restos corporais
diluído enfim,
sem memória, dissolvido
sem memória, diluído
sem pensamento, absorto
perdido.
e não ser nada.
nada.
e parar de sofrer.